Foi num dos momentos mais difíceis da minha vida que eu decidi que era hora de resolver um problema que, há tempos, me perseguia. Uma resolução de ano novo que nunca conseguia cumprir. Ano após ano, eu mentalizava “esse ano eu volto a dirigir”, mas outras prioridades chegavam e mudavam meus planos. Adaptei a minha vida para não precisar de carros, porém, quando, em determinadas situações, saber dirigir era crucial, me sentia muito mal. E a revolta me consumia. Hoje, eu vejo que a pouca técnica e a falta de incentivo eram os meus principais obstáculos. Entretanto, era difícil começar, procurar ajuda.

Busquei a clínica escola Cecília Bellina quando eu e a minha esposa sofremos um aborto no começo de 2019. Na verdade, queria fazer alguma coisa por mim, além de ocupar a minha mente. Foi meio por impulso! Pensei o quanto seria fundamental dirigir já que estávamos tentando engravidar e, quando me dei conta, já estava dentro de um carro voltando a ter aulas de direção.

No começo, não estava muito confortável em participar do grupo. Comecei com um mês de teste e, se não desse certo, partiria para as aulas avulsas. Não tinha muito problema em me expor. Meu maior medo era encontrar pessoas com verdadeiro pânico de direção e isso me influenciar (piorando a minha situação).

Hoje, vejo que o grupo é um grande aliado no processo. Aqui encontrei pessoas que, como eu, tinham medo associado à falta de prática e, assim, pude me identificar e dividir experiências. E também conheci pessoas que tinham pânico em entrar num carro, inclusive como carona. No entanto, ouvir os seus relatos não me traumatizou, como imaginava, mas me fez entender o ser humano na sua individualidade, nos seus problemas, dilemas, desafios. No fim, vi que não era uma luta individual, e, sim, coletiva. De certa forma, tornar uma pessoa melhor, mais compreensiva.

Um mês depois que entrei na clínica, eu e a minha esposa fomos surpreendidos por uma nova gestação. A felicidade que senti foi proporcional ao medo de que alguma coisa desse errado de novo. Além de um escape emocional proporcionado pelas aulas, sair com o meu filho de carro da maternidade se tornou uma motivação para eu manter o foco. Não desistir. Seguir em frente.

O processo foi bem árduo. Emocionalmente desgastante. Sair da sua zona de conforto semanalmente era um teste para cardíaco, mas a satisfação de realizar esse sonho valeu cada sacrifício. No fim, não só levei meu filho para casa como também levei a minha esposa para o hospital, driblando toda a tensão pré-parto.

Gostaria de agradecer a todas as pessoas que participaram do processo. Afinal, sozinho seria impossível realizar esta conquista. Em especial aos instrutores que me ensinaram praticamente do zero a dirigir, às psicólogas e ao grupo que deram toda a motivação e apoio necessários e a todos os meus familiares (minha esposa e meus pais, principalmente) e amigos que acompanharam os meus lamentos e vitórias nestes últimos nove meses. Valeu.

Encontro vocês no trânsito!

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