Como muitas pessoas pensam, acredito que tirar a habilitação para dirigir é um passo para fortalecer sua independência.

No caso dos jovens, também é um ritual para a fase adulta.

Tirei a minha habilitação com 19 anos. Estava empolgada para tirar, pois sempre gostei de carro e a ideia de dirigir. Além de mim, meu pai queria muito que eu tirasse a carteira para que eu pudesse dirigir para ele.

Consegui passar na prova prática na quarta tentativa. Porém, dias antes bati com o carro do meu pai. Aquilo para mim foi um trauma e a conclusão de que eu realmente não sabia dirigir e que eu não tinha o controle do carro como eu imaginava. Criei um bloqueio muito grande e um medo de pegar o carro e fazer alguma besteira. Recebi a carteira e entreguei ao meu pai.

Depois disso, a carteira só me servia como documento de identificação.

Durante muitos anos eu achava que eu nunca ia conseguir dirigir sozinha, pois ter o controle do carro era algo muito distante de ser conquistado. Eu não tinha o controle dos meus medos e cobranças, imagina controlar uma máquina.

Há uns anos atrás, enquanto eu andava pela rua, eu vi o carro da clínica e fui pesquisar do que se tratava. Quando eu tive conhecimento da clínica, voltei a ter esperança de um dia dirigir novamente.

Demorei um bocado para entrar, devido a questões financeiras e pelo fato de na época dar importância ao que eu meu ex-namorado dizia. Para ele, eu iria jogar dinheiro fora com a clínica e que eu deveria aprender com ele. Afinal, dirigir é algo muito fácil e seria só uma questão de prática. Virou mais uma cobrança dele, dentre tantas outras. Nas vezes que ele me cobrava, mesmo contra a minha própria vontade, eu tentava. Até que eu dia ele me chamou de burra, por não lembrar onde ficava o pedal do acelerador, freio e embreagem. Aquilo para mim, foi a gota d’agua. Discuti com ele e disse que não queria mais a ajuda dele e que eu já
tinha tomado a decisão de que eu não ia dirigir e que não era para ele insistir.

Depois do término, comecei a colocar no papel todos os meus planos e projetos pessoais que eu não tinha feito até então, por conta do namoro. Um deles era a clínica. Depois de me organizar financeiramente, mesmo em meio a pandemia e desempregada, eu tomei coragem e comecei. Foram 7 meses que para mim passaram rapidamente, pois eu curti, aproveitei e tirei conclusões e aprendizados de cada etapa do processo.

As terapias em grupo foram essenciais para que eu entendesse e aceitasse muitas coisas. No início a cobrança interna era grande. Mas com o tempo eu fui entendendo que tudo bem errar, deixar o carro desligar ou cometer algum errinho no trânsito. Motoristas experientes fazem isso o tempo todo, até aqueles caras que se acham o Airton Senna. Então, por que nós que estamos reaprendendo, não podemos errar? Estamos no nosso direito, assim como qualquer um.

Depois de passar por todas as etapas do processo da clínica, consigo pegar o carro sem medo e cobranças, e inclui o carro na minha rotina. Dirigir, voltou a ser algo bom e prazeroso para mim!

Confesso que a ficha ainda não caiu. Esperei 8 anos por isso e eu ainda não consigo acreditar que eu estou dirigindo e estacionando um carro grande. Antes eu olhava meu pai dirigindo e dizia para mim mesma que eu nunca ia ser capaz.

As curvas do Alto da Boa Vista foi um marco. A primeira vez que eu passei por lá, mesmo com a perspectiva de uma passageira, elas me assustaram devido a inclinação e a habilidade que o motorista precisa ter. Hoje eu consigo subir e descer com tranquilidade, segurança e tendo o controle do carro.

Os aprendizados da clínica foram extremamente importantes para mim. Levo esses aprendizados não somente para o trânsito, mas também para minha vida.

Agradeço muitíssimo a Nathalia, ao Sr. Nelson e ao Rafael pelo cuidado, dedicação, paciência e profissionalismo. Vocês não fazem ideia de como vocês foram importantes para a minha evolução! Hoje eu me sinto mais forte, mais capaz e principalmente acreditando mais em mim.

Muito obrigada mesmo!

Rafaela Gomes

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